Análise gráfica: 5 dicas para iniciantes

Você quer fazer análise gráfica para operar na renda variável? Entenda como começar seus estudos com estas dicas.

A análise gráfica consiste em estudar o preço dos ativos ao longo do tempo, por meio de gráficos, como o próprio nome sugere, para identificar tendências do mercado.

Também chamada de análise técnica, a análise gráfica pode ser aplicada a diversos tipos de ativos negociados no mercado de capitais, como ações e derivativos.

Embora seja muito utilizada no mercado financeiro, em especial por quem faz trading, a análise gráfica é vista com desconfiança por muitos estudiosos, que alegam ser impossível prever qualquer tipo de tendência por meio de um estudo do movimento do preço.

Neste artigo, você vai entender o que levar em consideração para iniciar seus estudos na análise técnica e poder tomar as decisões por conta própria. 

O que é análise gráfica

Falando de forma simplificada, a análise gráfica mostra a variação do preço de um ativo ao longo de um período selecionado, para criar gráficos que permitam estudar esses movimentos e identificar tendências.

Analistas gráficos duvidam da hipótese do mercado eficiente, que aprofundaremos a seguir, e alegam que o preço de um ativo já contém todas as informações que impactam aquele ativo, como fatos políticos, dados fundamentalistas e movimentos políticos. 

A tese é de que o preço carrega todas as informações, bastando ao investidor entender os movimentos do mercado para encontrar oportunidades de compra ou venda dos papéis.

Assim, ela é usada como uma ferramenta para tomar decisões de investimentos, principalmente por traders, que podem operar em intervalos muito curtos, de alguns segundos ou minutos.

4 cuidados com a análise gráfica

Antes de listar as dicas para você estudar a análise gráfica e definir se esse tipo de ferramenta deve ser utilizado para guiar a sua tomada de decisão, vale a pena entender os cuidados que você precisa tomar ao utilizar a análise gráfica – e por que ela é vista com desconfiança por muitos investidores, economistas e estudiosos.  

1. Ignore promessas de ganhos fáceis

O primeiro cuidado é ignorar qualquer promessa de ganhos fáceis. Há golpistas que aproveitam o desconhecimento de alguns investidores sobre o mercado de renda variável para vender falsas promessas. Fique atento: na renda variável, é impossível prever o movimento dos mercado e garantir qualquer tipo de ganho. Quem diz o contrário provavelmente está querendo enganá-lo.

2. Há divergências sobre a efetividade da análise gráfica

Não há evidências suficientes a favor da efetividade da análise gráfica. Pelo contrário: a maior parte dos estudiosos mostra que o comportamento das ações, por exemplo, é completamente aleatório no curto prazo, o que torna impossível fazer qualquer tipo de previsão com base nos preços anteriores.

Em uma coluna na Folha de São Paulo, em 2013, o professor da FGV Samy Dana explicou: “Segundo a teoria de finanças, afirma-se seguramente que o preço das ações segue o chamado passeio aleatório (“random walk”). O que quer dizer que é impossível prever o preço de uma ação apenas utilizando informações do passado”. 

O principal estudioso do assunto foi um dos mais renomados estudiosos do mercado financeiro da história, Eugene Fama, considerado o pai da hipótese dos mercados eficientes. Ele concluiu na sua tese de Ph.D que os movimentos dos preços das ações são completamente imprevisíveis. 

Quem acredita na análise gráfica duvida desta hipótese do mercado eficiente e afirma que é possível identificar tendências nos movimentos de preços das ações, embora haja diversas evidências empíricas que mostram o contrário. 

3. Busque conhecimento antes de investir

Para tirar as suas próprias conclusões, recomendamos que você estude esta hipótese do mercado eficiente e busque o máximo de informações possíveis sobre a análise gráfica e sua efetividade antes de investir. 

4. Comece com simuladores ou pouco dinheiro

Se você decidir investir e tomar decisões com base na análise gráfica, comece utilizando simuladores que permitam operar sem dinheiro, apenas para testar suas estratégias. Se tiver sucesso, invista um pequeno percentual do seu patrimônio para testar na prática, sempre com controle de risco.

5 dicas para fazer análise gráfica

Agora que você já entendeu a polêmica por trás da análise gráfica, vamos listar algumas dicas básicas para quem está começando seus estudos no tema:

1. A missão é encontrar tendências nos preços

O grande objetivo dos grafistas, nome dado a quem utiliza a análise gráfica, é encontrar tendências na oscilação de preços dos ativos. Essa tendência pode ser de alta, de baixa ou lateralizadas, em que não há tendência. A sua missão é unir indicadores, figuras e outros dados gráficos para identificar essas tendências e prever o movimento do mercado em um período de tempo.

2. Domine a formação de candles

Os candlesticks são uma das figuras gráficas mais utilizadas pelos analistas, porque permitem reúnem diversas informações em apenas um desenho. Cada candle mostra o preço de abertura, preço de fechamento, preço máximo e preço mínimo ao longo do período analisado. Além disso, candles verdes mostram uma alta no preço naquele período, enquanto candles vermelhos mostram uma queda. 

3. Comece por topos, fundos, resistência e suporte

Os quatro conceitos mais básicos da análise gráfica são aqueles que se referem aos topos, fundos, resistência e suporte:

  • Topo: é o preço máximo que um ativo chegou no intervalo estudado
  • Fundo: é o preço mínimo no período
  • Resistência: é formada por uma série de topos. Indica que o mercado não aceita pagar mais do que aquele valor pelo ativo
  • Suporte: uma série de fundos é chamada de suporte. Indica que o mercado não aceita pagar menos do que aquele valor pelo ativo.

 

4. Estude as linhas de tendência

As linhas de tendência são um dos conceitos mais famosos da análise gráfica, porque permitem identificar uma clara tendência no preço dos ativos. Em geral, as linhas de tendência são traçadas interligando topos históricos entre si, ou fundos históricos entre si, para entender para onde vai o mercado.

5. Conheça os indicadores de análise gráfica

Dominar os indicadores de análise gráfica é o último passo para você iniciar seus estudos nessa área. 

Os indicadores nada mais são do que a representação gráfica de uma fórmula, para indicar possíveis tendências nos preços. Eles podem alertar para reversão de tendências ou reforçar uma outra análise que você tenha feito.

Entre os indicadores de análise técnica mais famosos, estão:

  • Média móvel: utilizada para mostrar a média de preços do ativo ao longo do tempo e comparar com o preço atual
  • Indicadores de volume: ajudam a mostrar se os movimentos dos preços são relevantes. Um deles é o indicador OBV
  • Indicadores de momento: apontam a velocidade na qual os preços mudam
  • Indicadores de volatilidade: ajudam a mostrar o que esperar para o preço de uma ação
  • Indicadores de tendência: ajudam a identificar ou reforçar tendências de alta ou baixa.

E aí, gostou das dicas? Se você quer conhecer mais sobre as ações à disposição na bolsa de valores brasileira para montar a sua carteira de investimentos, assine o plano Capital e tenha acesso às recomendações dos analistas da Capital Research. Dessa forma você pode combinar a análise técnica à análise fundamentalista e decidir qual faz mais sentido para você. 

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