Block trade: tudo que você precisa saber sobre o assunto

O block trade é uma grande oferta de ações na bolsa. Confira tudo que você precisa saber para lucrar (ou não perder) nessa hora.

Block trade é uma ordem de venda em bloco, ou seja, uma forma de lançar uma grande quantidade de ações no mercado.

Já ouviu falar? Funciona na prática como um leilão agendado pela Bolsa de Valores para que um grande investidor consiga se desfazer de determinado ativo. Estamos falando de grandes quantidades, e não de investidores individuais.

Uma empresa também pode disponibilizar suas próprias ações no mercado por meio de um block trade. Esse movimento costuma ter grande impacto no mercado, acarretando oportunidades e riscos para investidores de qualquer porte.

Ficou interessado? Então, acompanhe o texto para saber mais detalhes, entender como funciona o processo e conferir algumas dicas sobre block trade que podem ser úteis para os seus investimentos.

O que é block trade

Block trade é a negociação de um grande lote de ações na bolsa de valores, geralmente na forma de leilão.

Assim como a maioria das bolsas, a B3 (bolsa brasileira) exige que o mercado seja avisado com antecedência no caso da venda de ações que representem porcentagem relevante do capital total da empresa.

Caso contrário, o movimento poderia provocar uma volatilidade extrema na cotação do ativo, ou seja: o preço despencaria.

Ou então, o investidor nem conseguiria vender por falta de compradores. Nesse caso, ele levaria muito tempo para se desfazer das ações, e o valor ainda teria grande variação ao longo do processo.

Mas qual quantidade é considerada grande demais para se vender de forma normal?

Quando representa acima de 0,9% do total de ações em circulação daquela empresa e o valor corresponde a mais de 3,5% da média de negociações diárias da companhia nos últimos 20 dias. Então, para manter o mercado o mais estável possível, de forma previamente anunciada, a Bolsa realiza o leilão.

E como isso ocorre na prática?

Block trade: como funciona

Para quem está fazendo, o block trade é uma operação com certa complexidade. Mesmo empresas de grande porte costumam contratar assessoria de bancos, financeiras e consultorias para viabilizar a movimentação. Essas intermediárias fazem o meio-campo com a bolsa e ficam com uma porcentagem do lucro.

Não estamos falando de alguns milhares de ações vendidas por um investidor pessoa física, ainda que bilionário. Vamos ver do que se trata em um exemplo prático:

Em setembro de 2019, a companhia aérea americana Delta Airlines adquiriu um pedaço da brasileira Latam. Com isso, absorveu uma fatia da Gol, da qual planejava se desfazer. Estamos falando de 32,93 milhões de ações preferenciais de GOLL4.

Cotados naquele momento a R$ 31,98, os papéis representavam nada menos que R$ 1,05 bilhão. Para vender tudo isso, a companhia planejava contratar um banco para sondar o mercado sobre a viabilidade do negócio e por quanto conseguiria efetivar a venda.

A Delta acreditava que, mesmo com desconto no preço e pagando a comissão da instituição financeira, o block trade ainda seria mais rentável que a outra opção, a oferta subsequente de ações.

A oferta subsequente, também conhecida como follow-on, não é o foco desse texto, mas resumidamente é uma operação comparável a um segundo IPO, como é chamada a primeira oferta de ações de uma empresa no mercado. Ou seja, é como se a empresa abrisse novamente o seu capital no mercado.

Até novembro de 2019, a operação da Delta ainda não havia sido realizada.

Para quem opera na Bolsa como pessoa física, o block trade se parece muito com o leilão de abertura e o de fechamento, que são realizados no início e no final de cada pregão. A diferença é que ele ocorre no meio do dia, envolvendo apenas um papel específico.

Há muitas transações diretas, ou seja, de corretora para corretora. Nesses casos, partes do volume de ações são transferidas de um fundo de investimento para outro, sem serem realmente ofertadas livremente no mercado. O investidor “comum” fica só olhando.

Então, de que forma alguém como você pode se beneficiar do block trade?

Dicas ao investir em block trade

Mesmo com o artifício para garantir estabilidade do mercado, a cotação da ação em questão costuma sofrer variação em um block trade. Devido à alta oferta, com demanda geralmente baixa em comparação, é fortíssima a tendência de baixa, ou seja: queda no preço do papel. São raríssimos os casos em que a cotação não cai, e isso pode trazer oportunidades.

 

Vender antes

As negociações de block trade são anunciadas pela B3 em comunicados, então, para quem fica ligado, pode ser uma boa chance de lucro, porém, muito perigosa. Pensando nisso, alguns investidores operam “vendido” naquele ativo, ou seja, vendem a descoberto (alugam a ação para poder vendê-la) antes da hora do leilão.

Com a queda no preço, compram mais barato depois e obtêm lucro. O problema é que as operações são realmente muito rápidas e voláteis. Mesmo com muito cuidado, você pode não conseguir realizar a operação desejada, no preço desejado.

Além disso, a tendência é o preço ser corrigido depois, em um movimento que pode levar segundos ou meses. Portanto, é difícil de calcular o momento de entrar e sair do papel, e é grande o risco de perda.

 

Vender o índice

Outra possibilidade de ganho é quando se trata de um block trade de um player realmente gigantesco, daqueles que impactam todo o mercado, como seria o da Delta. Aí pode valer a pena operar vendido no índice ou mini-índice, ou seja, apostando que o leilão vai puxar para baixo toda a Bolsa naquele momento.

Nesse caso, os movimentos são menos bruscos do que os do papel que está em leilão. Porém, não dá para ter certeza da direção do mercado – isto é, essa ideia também envolve alto risco. De qualquer forma, é aconselhável buscar auxílio de profissionais para minimizar os riscos, nesse ou em qualquer tipo de operação.

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