Desemprego estrutural: o que é e como identificar

O desemprego estrutural pode ser mais uma ameaça da crise do coronavírus? Entenda o conceito e seus impactos na economia.

Desemprego estrutural

O desemprego estrutural é a forma mais grave de falta de emprego que um país pode enfrentar.

Essa ameaça vai além do desemprego conjuntural, que pode se dever a fatores de curto prazo, que não abalam os alicerces da economia.

Uma crise como a do coronavírus, por exemplo, ao paralisar por completo a economia global, pode resultar em desemprego massivo, além da falência de empresas, resgate de crédito e muitas outras consequências danosas para os negócios no longo prazo.

Mas, mesmo que demore, trata-se de uma ruptura com prazo de validade.

Assim, esse tipo de cenário não se caracteriza necessariamente como um desemprego estrutural, que é identificado, normalmente, com a desconexão entre oferta e demanda de competências técnicas.

Para compreender melhor o que é desemprego estrutural e navegar com tranquilidade pelos noticiários de economia, siga a leitura.

O que é desemprego estrutural

Desemprego estrutural é a falta de trabalho que tem como principais causas as mudanças estruturais na economia. Essas alterações podem ser novas tecnologias nos processos produtivos, novos padrões de consumo, transformação nos modelos de negócio, entre outros fatores que impactam o mercado.

No mundo contemporâneo, esse tipo de desemprego é impulsionado pelo avanço da automação e novas formas de organização do trabalho em um cenário digital e globalizado. Embora essas dinâmicas também gerem novas profissões e demandas, muitas vezes o ritmo de extinção de postos de trabalho é mais intenso — levando ao aumento no número de desempregados.

A principal característica do desemprego estrutural é sua longa duração, que reduz as chances de reintegração dos trabalhadores no mercado. Além do desemprego estrutural, existem outros três tipos de desemprego:

Desemprego conjuntural

É o desemprego gerado pelas oscilações na economia, que faz as contratações aumentarem e diminuírem em determinados períodos e contextos do mercado — principalmente em crises e instabilidades

Desemprego natural

É um tipo de desemprego transitório que ocorre devido à incompatibilidade entre mão de obra disponível e postos de trabalho ofertados pelas empresas, geralmente por conta de dificuldades do mercado interno em relação aos produtos estrangeiros ou mesmo falta de profissionais qualificados para as vagas. Nesse caso, são contabilizados também os profissionais temporariamente desempregados, que estão em transição de carreira ou busca de um novo emprego

Desemprego sazonal

É a falta de trabalho ou rotatividade em épocas específicas do ano, devido à sazonalidade da produção em setores como o agronegócio e turismo, que causam variações na demanda de trabalho.

Desses, o desemprego estrutural é o único que representa um problema crônico, sendo o tipo mais grave e com maiores impactos na economia.

Quem são as pessoas afetadas pelo desemprego estrutural

As pessoas mais afetadas pelo desemprego estrutural são os trabalhadores de baixa remuneração que não conseguem acompanhar o ritmo das mudanças no mercado de trabalho. Quando o problema atinge o nível estrutural, é sinal de que uma parcela da população não tem perspectivas de empregabilidade e condições para alcançá-la.

Mas os profissionais qualificados e técnicos também são atingidos, principalmente quando seus postos de trabalho são substituídos por soluções de automação. Por isso, é importante buscar a atualização e requalificação para não entrar para as estatísticas do desemprego estrutural.

Outro sinal claro do desemprego estrutural é o crescimento do trabalho informal, que se torna a principal fonte de renda da população que não consegue voltar ao mercado de trabalho. No Brasil, a taxa de informalidade bateu seu recorde histórico em 2019: 41,1% em média, representando um contingente de 38,3 milhões de trabalhadores informais, segundo dados do IBGE publicados na Época Negócios. 

Desemprego estrutural x coronavírus

Como vimos, o desemprego estrutural tem natureza diferente da que pode ser vista em uma crise pandêmica como a do coronavírus.

A princípio, estaríamos diante de um desemprego conjuntural, uma vez que as demissões ocorreriam somente dentro do período de duração da pandemia e o mercado poderia se recuperar após alguns meses.

Mas as previsões não são nada animadoras: o presidente da XP Investimentos, Guilherme Benchimol, estima que o desemprego pode atingir 40 milhões de brasileiros em decorrência do coronavírus. Em entrevista ao UOL em 2020, ele afirma que esse número assustador pode se tornar realidade, uma vez que os EUA preveem uma taxa de desemprego de até 30%.

Para Alexandre Almeida, analista de economia da CM Capital, a perspectiva não é tão drástica: o nível de desemprego deve chegar a 16%, ou no máximo 19%, chegando perto dos 20 milhões de desempregados, conforme opina no Valor Investe. De qualquer maneira, o consenso entre os economistas é que o desemprego vai crescer com a recessão causada pelo coronavírus.

A dúvida no momento é o nível de gravidade da situação, dependendo da evolução da curva de contágio do vírus e pacotes do governo. Por enquanto, medidas como a concessão de auxílio mensal aos trabalhadores informais, home office para as empresas e crédito para PMEs apenas suavizam a crise — mas não resolvem o problema central, que é a capacidade de gerar e manter empregos.

Entendeu melhor o que é o desemprego estrutural e quais são as suas consequências? Fique de olho no mercado e assine a newsletter da Capital Research para não perder nenhuma informação do universo das finanças e dos investimentos.

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