Ações

Mesmo retorno com muito menos risco? Sim, é possível!

Felipe Silveira26/06/2020

Já é chover no molhado dizer que o brasileiro precisou se mexer nos últimos anos para ter uma rentabilidade adequada de seus investimentos após as quedas das taxas de juros e que ações devem fazer parte de uma carteira bem diversificada.

Mas, ainda há alguns aspectos importantes que precisam ser tratados com mais cuidado.

Vou falar de um deles no relatório de hoje. E esse é um assunto normalmente menosprezado por investidores: o benefício da diversificação geográfica.

Se você já investe em ações, há uma probabilidade alta de que você tenha apenas ações brasileiras na sua carteira, acertei?

E isso está longe de ser um mal apenas brasileiro, viu? Existem vários estudos que mostram que, no mundo todo, investidores tendem a ter um peso excessivo em ações locais em suas carteiras e ignoram o benefício de se posicionar em ativos de outros países.

Tem até uma explicação das finanças comportamentais para esse fenômeno, que ocorre no mundo todo e com investidores de todos os níveis.

O nome é home bias, ou viés doméstico.

As pessoas tendem a se sentir mais confortáveis com ações de empresas que estejam mais presentes no seu dia a dia.

Mas, por que eu devo ter ações de outros países na minha carteira?

Há uma resposta simples e bem intuitiva, na verdade. Porque dificilmente todas as melhores oportunidades de investimentos em ações estariam necessariamente apenas entre as poucas centenas de empresas listadas na bolsa brasileira.

Além disso, investir no exterior tem alguns fatores de risco, é verdade, como o câmbio e o risco político do país que você vai investir, mas para nós brasileiros, investir no exterior é muito mais uma proteção contra o risco cambial e o nosso risco político do que o contrário, vamos combinar.

Faz bastante sentido, né?

Ainda assim, aqui na Capital a gente não acredita muito que intuição tenha a ver com a sua decisão de investimentos. Então, eu fui atrás de dados para avaliar se faz sentido você diversificar não só entre as empresas da B3, mas ter uma parcela do seu capital em ações estrangeiras.

Para isso, construí duas carteiras teóricas, uma 100% comprada em Ibovespa e outra 50% posicionada em Ibovespa e 50% em S&P 500.

A primeira vai representar aqueles investidores que só tem ações brasileiras na carteira e a segunda vai representar aquele que já busca diversificar ainda mais o seu portfólio.

Depois de definir as carteiras, analisei o retorno das duas desde o ano de 1995, o primeiro ano cheio do plano real até o dia 20 de maio deste ano, quando preparei o estudo. Você também pode analisar o retorno dessas duas carteiras no gráfico abaixo.

O resultado foi que, investindo R$ 100 mil nas duas carteiras, na carteira 100% Ibov você teria hoje R$ 1,88 milhão, enquanto na carteira mezzo brasileira e mezzo americana você teria R$ 3,11 milhões. É uma diferença considerável, mas não é nem o principal fator que nos leva a considerar a diversificação uma boa opção. Até porque, em muitos períodos, a carteira 100% brazuca foi até melhor.

A desvalorização recente do real tem um peso grande na diferença. Aliás, vemos essa exposição a uma moeda mais forte como sendo mais um fator favorável à diversificação.

Mas, voltando à comparação, abaixo tem um gráfico para você ver a diferença no retorno das duas carteiras no decorrer do tempo. Quando o gráfico é azul, é porque, até ali, a carteira diversificada era melhor. Quando ele fica vermelho, é sinal que a carteira brasileira estava melhor até aquele momento.

Você já deve ter ouvido falar que ao investir, tudo é uma questão de risco e retorno, certo? Dessa forma, o principal ponto desse estudo é que durante todo esse tempo, a carteira mais diversificada teve uma volatilidade quase 35% menor do que a carteira só com Ibovespa. A relação risco/retorno dessa carteira se mostrou mais de 1,8x mais favorável, o que é muito representativo. Simplificando, para obter o mesmo retorno, você teria corrido praticamente metade do risco do que investindo apenas em ações de empresas brasileiras.

Antigamente, você até poderia usar a desculpa da dificuldade de acesso para explicar a falta de diversificação geográfica na sua carteira, mas hoje em dia eu não caio mais nessa, não. Tem ficado cada vez mais fácil investir diretamente em empresas americanas. Aliás, já preparamos até um guia para você investir no exterior, que você pode acessar clicando aqui.

E mesmo se você não quiser abrir uma conta em uma corretora americana, hoje você pode facilmente replicar a mesma carteira que eu usei nessa análise no home broker da sua corretora. É só digitar BOVA11 e IVVB11, que são dois ETFs que replicam, respectivamente, o Ibovespa e o S&P 500.

Simples, não é?

Disclaimer

Aviso legal

A presente publicação visa única e exclusivamente informar os leitores dos temas apresentados e divulgar as atividades da Capital Research, portanto não deve sob qualquer hipótese ser compreendida como oferta de negociação de títulos, valores mobiliários ou quaisquer outros instrumentos financeiros.

Determinados conteúdos produzidos pela equipe da Capital Research podem constituir "Relatório de Análise", conforme definido no artigo 1º § 1º da Instrução CVM 598/2018. Quando da emissão destes Relatórios, os Analistas de Valores Mobiliários responsáveis pela referida emissão e autores dos conteúdos publicados, declaram expressamente que as recomendações de títulos e valores mobiliários apresentadas constituem estritamente suas opiniões pessoais, elaboradas de forma totalmente independente e autônoma, declarando-se ainda responsáveis pelo cumprimento das obrigações dispostas no Art. 20 da referida Instrução.

As informações apresentadas nos relatórios foram baseadas em fontes públicas e consideradas confiáveis na data de publicação, e estão sujeitas a mudanças, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação pela Capital Research e/ou analistas em relação a tais mudanças.

Os analistas poderão esclarecer dúvidas de seus leitores através de relatórios ou vídeos que serão enviados simultaneamente a estes, sendo sempre mantida e garantinda a isonomia de informações.

Ressaltamos que as decisões de investimentos devem ser realizadas pelo próprio leitor sob sua total e exclusiva responsabilidade. Os resultados e estatísticas anteriores NÃO devem ser interpretados como garantias de ganhos futuros, sendo que de nenhuma forma a Capital Research e seus analistas, expressamente ou implicitamente, garantem algum desempenho ou a ocorrência de ganhos.

Alguns instrumentos de investimentos podem não ser adequados para todos os leitores, uma vez que os relatórios emitidos pela Capital Research, não levam em conta a situação específica e individualizada de cada um, devendo a decisão final sobre a realização ou não do investimento, ser tomada exclusivamente pelo leitor.

A Capital Research poderá alterar o presente aviso legal sob seus próprios critérios, sem que isto implique em necessidade de qualquer comunicação prévia ao leitor.

“Os analistas de valores mobiliários autores do presente conteúdo declaram, nos termos da Instrução CVM nº 598/2018, que as recomendações de títulos e valores mobiliários apresentadas constituem opiniões pessoais, elaboradas de forma totalmente independente e autônoma. Sob tal circunstância, ainda, os respectivos analistas se declaram responsáveis pelo cumprimento das obrigações dispostas no Art. 20 da referida Instrução.”