Fundos de Investimento

Fundos quantitativos

Rafael Amaral02/11/2020

Você já deve ter ouvido falar dos fundos quantitativos, quant ou sistemáticos, certo? E, muito provavelmente, lhe foram colocados como o oposto dos investimentos discricionários.

Neste relatório, quero desmistificar alguns mitos que rondam esses fundos e lhe mostrar como a adição deles pode ajudar a sua carteira de investimentos.

Primeiro, quero enfatizar que embora as estratégias sejam diferentes, ambas utilizam inputs similares e buscam o mesmo objetivo de entregar retorno aos investidores.

Ambos os fundos utilizam métricas financeiras e indicadores econômicos a fim de identificar oportunidades no mercado. A forma e como é construído cada estratégia é que difere eles.

Os investimentos quantitativos buscam performance por meio da identificação e exploração de padrões no comportamento dos ativos por meio do processamento de dados e algoritmos.

Já os fundos discricionários apoiam-se mais na visão e julgamento do gestor para montar e alterar as posições dos fundos.

Fundos Quantitativos

Afinal o que são esses fundos?

Um dos problemas enfrentados pelas gestoras que utilizam essa estratégia para montar sua carteira de investimento é justamente a percepção que investidores ainda possuem com os fundos quantitativos.

Lá fora os fundos que utilizam estratégias quant já são muito mais difundidos entre os investidores.

Para comparação, quando olhamos nos Estados Unidos, mais de 35% dos ativos sob gestão já usam uma estratégia de gestão quantitativa enquanto aqui no Brasil este número ainda não chega a 1%.

Pelo fato de os fundos quantitativos serem orientados por dados (data-driven) e dependerem dos computadores para detectar oportunidades de investimento, muitos investidores ainda não compreendem a dinâmica deles e erroneamente os rotulam como “black-boxes”. 

Entretanto os fundos sistemáticos ou quantitativos, como são chamados, basicamente traduzem os processos de investimentos utilizados por gestores em robustos algoritmos.

Imagine um gestor discricionário, independentemente da filosofia e estratégia da asset. O gestor possui um processo de investimento específico para gestão do fundo.

Em um fundo quantitativo é essencialmente isso. Traduzir processos de investimentos e tomada de decisão para um modelo.

Agora que já comentamos sobre as principais caraterísticas e semelhanças dos fundos com gestão sistemática e discricionária, vou abordar uma das principais diferenças entre eles.

Sistemáticos X Discricionários

Gestores discricionários tendem a estudar a empresa a fundo e possuir um portfólio mais concentrado, investido nos investimentos em que possuem mais convicção.

Em contraste, os gestores sistemáticos, por possuírem um processo de investimento mais escalável, com um poder de análise de dados muito acima de um indivíduo, consegue realizar mais alocações e, por consequência, seu grau de convicção em uma alocação não precisa ser necessariamente semelhante ao de um gestor discricionário.

Conforme gráfico abaixo, vemos que a abrangência fornecida pelas estratégias quantitativas está diretamente relacionada ao grau de segurança que o gestor precisa ter em sua alocação.

Grinold e Kahn em “The Fundamental Law of Active Management” definiu o sucesso do gestor através de duas variáveis: a habilidade para selecionar ativos e números de ativos selecionados.

Então, para um gestor discricionário ter a mesma performance de um sistemático, devido à diferença no número de alocações dos fundos quant, a taxa de acerto por ativo selecionado precisa ser maior.

Na ilustração abaixo, podemos ver essa necessidade de acurácia do gestor discricionário para manter o nível de sucesso do gestor quantitativo.

Conforme eu comentei nos meus relatórios anteriores, a maneira mais eficiente de montar um portfólio é por meio da construção de uma carteira diversificada com alocações em diferentes classes de ativos e estratégias de investimento.

Harry Markowitz, vencedor do prêmio Nobel de Economia, foi quem identificou o poder de agregar ativos com diferentes correlações em uma carteira de investimentos.

Através da adição de investimentos com correlações menores que 1 é possível construir uma carteira mais diversificada e mais bem preparada para suportar a volatilidade do mercado (como a que estamos vivendo neste ano, por exemplo). Isso acontece devido à suavização de seus retornos. 

A correlação é uma medida estatística que mede a relação (linear) entre duas variáveis. Ela varia entre 1 e -1, correlação perfeitamente positiva e negativa, respectivamente.

A descorrelação proporcionada por muitos produtos de investimentos que seguem estratégias quantitativas jogam a favor dos fundos sistemáticos.

Outro fator importante da gestão sistemática é conseguir eliminar os vieses emocionais e cognitivos que existem na tomada de decisão do indivíduo. Esses conceitos formam a base das teorias das finanças comportamentais, que buscam explicar o motivo que investidores agem de maneira diferente do que seria previsto pela teoria clássica (que pressupõem um comportamento perfeitamente racional).

KADIMA II FIC FIM

O Kadima II FIC FIM é um fundo que busca proporcionar retorno acima do CDI no longo prazo ao seus cotistas.

O Kadima II é um fundo de cotas que investe sua totalidade no fundo “master”, Kadima Master FIM.

A estratégia do fundo é predominante quantitativa, a qual, através do uso de modelos proprietários desenvolvidos pela gestora, busca capturar oportunidades em diferentes mercados.

Em termos de filosofia de investimento, a gestora baseia suas decisões de investimentos em algoritmos construídos por meio de um extenso processo de pesquisa, fundamentada em evidências estatísticas.

Com um histórico de performance consistente, a gestora possui aproximadamente R$ 861 milhões sob gestão nessa estratégia, sendo a principal da casa.

A estratégia master teve um retorno anualizado desde o início de 14,21% com uma volatilidade anualizada de 4,23%. Nesse mesmo período, o CDI anualizado foi de 9,57%. Já o IHFA (Índice de Hedge Funds Anbima) registrou um retorno anualizado de 11,14% com uma volatilidade anualizada de 3,86%.

Conforme os gráficos abaixo, na maioria do período analisado, o fundo se manteve acima do CDI e IHFA em janelas de retorno de 36 e 60 meses, mostrando a forte consistência de performance do gestor.

O horizonte de investimento do Kadima II FIC FIM é de longo prazo, de modo que a análise do fundo em janelas de investimentos menores pode ocasionar uma equivocada tomada de decisão pelo investidor.  

 

Vale destacar que, historicamente, os fundos multimercados da gestora se destacaram justamente em períodos de maior volatilidade dos mercados.

Esta característica de resultados descorrelacionados da maioria dos fundos multimercados brasileiros reafirma o potencial de melhora no perfil de risco e retorno de uma carteira de investimentos com a adição do fundo da Kadima.

Conforme último relatório mensal do fundo, a correlação do retorno do fundo nos últimos 12 meses com o Ibovespa e o IHFA era de 0,37 e 0,50, respectivamente.

O Kadima FIC FIM II tem uma estrutura de 2,00% ao ano de taxa máxima de administração e 20% de taxa de performance sobre o que exceder o CDI. O fundo possui aplicação inicial mínima e saldo mínimo de permanência de R$ 500. A cotização é realizada em D+10 (dias corridos) e o pagamento após um dia útil dessa data. O fundo pode utilizar derivativos para proteção da carteira (hedge) e alavancagem do portfólio.

Fundada em 2007, a Kadima tem um sólido grupo de profissionais seniores com larga experiência no mercado financeiro alinhado à excelência acadêmica direcionada para a criação de técnicas de trading. Entre os pilares da empresa está a busca por retornos absolutos no longo prazo e descorrelacionados.

Sendo pioneira na gestão de fundos sistemáticos no Brasil, a Kadima foca em uma abordagem majoritariamente sistemática, com trading baseados em modelos matemático-estatísticos previamente desenvolvidos e programados por sua área de pesquisa com o intuito de capturar oportunidades de operação sistematicamente observadas no mercado.

De acordo com o último ranking da Anbima, de setembro de 2020, a gestora possuía R$ 2,2 bilhões de AUM (Assets Under Management, ou ativos sob gestão).

Veredito

Aos investidores que possuam um horizonte de investimento de longo prazo e sua alocação em reserva de emergência MAIOR do que a necessária, recomendamos o investimento de até 30% da parcela destinada aos fundos MULTIMERCADOS MACRO da sua carteira de fundos Capital no fundo da gestora.

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