Fundos de Investimento

Muito barulho por nada! Os fundos ativos são realmente ativos?

Rafael Amaral14/08/2020

Você já deve ter ouvido falar na expressão “nem tudo o que reluz é ouro”, correto?

No mundo dos investimentos este ditado popular se encaixa perfeitamente: nem tudo que parece ser, realmente é.

Para explicar isso melhor, hoje vou falar dos “closet indexers” ou melhor, dos fundos pseudoativos que cobram como se fossem ativos, mas na verdade não são.

Mas vamos começar do começo e primeiro entender o que são (ou deveriam ser) fundos ativos.

Fundos ativos vs. Fundos passivos

Fundos ativos são os fundos que possuem gestão ativa, ou seja, fundos em que o gestor responsável possui mandato discricionário e tem como principal objetivo superar um benchmark. Em resumo, respeitando a política de investimento que consta no regulamento do fundo, o gestor pode alocar em ativos que não estão necessariamente no índice que serve como referência de performance para tentar superá-lo.

De maneira oposta, os fundos passivos são aqueles com gestão passiva, ou seja, tem como meta acompanhar algum índice de referência e, como você deve imaginar, deveriam ter um custo muito menor do que os fundos de gestão ativa, onde o gestor supostamente tem o trabalho de escolher ativos que superam o tal índice de referência. 

Nesse relatório não vou entrar no debate se os fundos de gestão passiva são caros ou se valem a pena, vou focar justamente nos fundos de gestão ativa.

Especificamente vou focar nos fundos de ações classificados como: índice ativo, livre ou valor/crescimento na Anbima.

Os fundos índice ativo são fundos que pretendem superar o valor de seu benchmark por meio de deslocamentos táticos em relação à carteira de referência. Em uma escala de tipo de gestão, estariam entre um fundo totalmente passivo e um totalmente ativo.

Já as categorias livre e valor/crescimento possuem estratégias de investimentos mais abrangentes e por esse motivo tendem a possuir um portfólio com uma maior proporção de ativos diferentes de seu benchmark.

Como avaliar um fundo ativo

Agora que você já sabe a diferença conceitual entre os diferentes tipos de fundos, vamos combinar uma coisa para este relatório: para classificar um fundo como ativo ou pseudoativo, “closet index”, vamos usar algumas métricas quantitativas.

O primeiro indicador será o tracking error (TE) que mensura o desvio padrão anualizado entre o retorno do fundo e o seu benchmark. Basicamente essa métrica olha o quanto o retorno do fundo desvia em relação ao retorno do Ibovespa, quando esse for o benchmark do fundo, por exemplo.

Um tracking error baixo indica que o portfólio segue de perto a performance de seu benchmark, enquanto um alto indica o inverso.

Outra medida relevante para nossa análise será o R2, que representa a porcentagem de desempenho do fundo que pode ser explicada pela mudança de desempenho do índice de referência.

Calma, não se espante! Em outras palavras, o R² mostra o quanto da variação do Ibovespa explica a performance do fundo, ou seja, quanto maior for o R2, maior a correlação entre o desempenho do fundo e o benchmark.

Uma combinação do TE com o R2 pode dar uma boa indicação de possíveis pseudoativos.

Além disso, para avaliá-los, vamos olhar o custo e a performance deles, pois não necessariamente um fundo que tenha um tracking error baixo e um alta correlação com o benchmark é “closet index”.

Nosso principal objetivo é saber identificar fundos que cobram como ativos dos cotistas e entregam uma performance abaixo do Ibovespa.

Paea identificá-los, primeiro selecionei os fundos que possuíam:

  • Tracking error menor que 5% e R2 maior que 0.95

A partir disso, distribui os fundos conforme suas respectivas taxas de administração e resultados comparados ao Ibovespa.

A performance analisada dos fundos foi referente ao período de junho de 2016 até junho de 2020.

 

Conclusão

Após fazer toda essa análise, podemos tirar algumas conclusões sobre a indústria de fundos brasileira.

Foram selecionados 274 fundos que se enquadrarem nos respectivos critérios: (1) mais de três anos de performance, (2) classificados como ações livre, índice ativo ou valor/crescimento na Anbima e (3) possuírem mais de 1.000 cotistas.

Destes, 44 fundos, ou seja mais de 15%, registraram um tracking error menor que 5% e um R2 maior que 0.95.

Embora isso não represente um número alarmante, juntos esses fundos possuem mais de 3,4 milhões de cotistas e R$ 7,6 bilhões de patrimônio líquido.

Mas o dado alarmante mesmo é que os fundos que tiveram uma performance abaixo do Ibovespa no período analisado são os que concentram a maior parte dos cotistas e do dinheiro.

Somando os cotistas e o dinheiro investido nesses 29 fundos, temos mais de 3,2 milhões de investidores e R$ 4,3 bilhões investindo em fundos que prometem uma gestão ativa que garanta uma performance melhor do que o Ibovespa, cobram taxas para isso, e nem isso conseguem entregar.

Isso só mostra que é preciso saber escolher muito bem os ativos nos quais você investe, afinal, existe muito produto financeiro ruim sendo oferecido por aí. Nós estamos aqui para te ajudar nisso. 

***

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Muito provavelmente algum amigo ou conhecido seu ainda deve estar investido em um dos pseudos-ativos, pagando taxas altas por retornos ruins.

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