Moeda fiduciária: o que é, origem e como funciona

Moeda fiduciária é o nome dado a qualquer documento que possa ser aceito como pagamento, como as notas de real. Entenda.

Moeda fiduciária é o nome dado a qualquer título ou documento que possa ser aceito como meio de pagamento.

Emitidas por governos e bancos centrais, as moedas fiduciárias substituíram o padrão-ouro há centenas de anos, quando as moedas utilizadas tinham lastro em metais.

Na prática, o real, o dólar, o euro e todas as moedas que você conhece são moedas fiduciárias, porque não há valor intrínseco – apenas o valor atribuído por todos que participam da economia do país, ao utilizar essas moedas e aceitá-las como forma de pagamento. 

Esse também é o caso de cheques e notas promissórias, por exemplo. Neste artigo, você vai entender como as moedas fiduciárias funcionam e por que elas surgiram.

O que é moeda fiduciária?

Moeda fiduciária é uma moeda sem lastro em metal ou valor intrínseco. Ou seja: é uma moeda que só tem valor porque o governo, a economia e as pessoas em geral atribuem valor a ela.

Quando falamos que algo não possui valor intrínseco, significa que, se não houvesse atribuição de valor por outras pessoas ou entidades, esse objeto não teria valor prático.

Esse é o caso das notas de dinheiro ou dos cheques, por exemplo. Dois tipos de moedas fiduciárias muito comuns na economia brasileira.

Uma nota de cem reais é, em essência, apenas uma nota de papel. Não há valor intrínseco nela.

Agora compare com cem gramas de ouro. O ouro é um metal raro, escasso e com diversas aplicações, cujo valor é reconhecido pela sociedade. 

Portanto, a moeda fiduciária é todo e qualquer documento que seja aceito como método de pagamento, e o seu valor depende da confiança que a sociedade deposita na instituição que a emitiu, além da quantidade de pessoas e instituições utilizando essa moeda como meio de pagamento.

Quanto mais pessoas atribuem valor à moeda e a aceitam como meio de pagamento, mais forte essa moeda se torna. É o caso do dólar, a moeda fiduciária mais forte do mundo, que é emitida pelo Banco Central da maior economia do planeta, e aceita em praticamente todo o mundo. 

No Brasil, o Banco Central é o Bacen, e cabe a ele deliberar sobre a política monetária.

Para dar valor à moeda fiduciária de forma instantânea, os governos usam a força da lei. Ao tornar ilegal a não-aceitação dessa moeda fiduciária como uma forma de pagamento, as empresas e pessoas são forçadas a aceitar a moeda, que passa a ser utilizada como unidade de riqueza. meio de troca e reserva de valor.

São exemplos de moedas fiduciárias:

  • Dinheiro em papel (real, dólar, euro, libra, peso argentino, etc.)
  • Moedas
  • Cheques
  • Notas promissórias
  • Títulos de crédito
  • Saldo bancário.

Agora, vamos entender a origem dessa história.

Como surgiu a moeda fiduciária?

A moeda fiduciária tem sua origem pouco documentada, mas há registros de que tenha surgido pela primeira vez com a dinastia Song, na China. Ela teria sido a primeira instituição a emitir uma moeda fiduciária de papel, entre os anos de 960 a 1279.

No Ocidente, a história mostra que a primeira moeda fiduciária surgiu por idealização de Johan Palmstruch, em 1661. 

Ele foi um empresário da Estônia que atuou na Holanda e introduziu o papel-moeda (ou moeda fiduciária) na Europa e no Ocidente em geral. Mas essas tentativas não tiveram sucesso em um primeiro momento.

Nos Estados Unidos e no Canadá, a moeda fiduciária emplacou apenas no século 20, com o fim do padrão-ouro.

Existe lastro em moeda fiduciária?

Não existe lastro em moeda fiduciária, e essa é uma de suas principais características. A moeda fiduciária só pode ser chamada dessa maneira se não possuir lastro, seja em metais, como ouro ou prata, ou outro tipo de objeto. 

Portanto, a moeda fiduciária não pode – necessariamente – possuir valor intrínseco.  O valor está associado apenas ao seu uso pela sociedade e à confiança em quem emitiu essa moeda. 

Como era antes da moeda fiduciária?

Antes da implementação da moeda fiduciária, o sistema monetário vigente era o padrão-ouro. esse sistema monetário, havia um lastro em ouro. Assim, os bancos eram obrigados a converter as notas de dinheiro em ouro sempre que um cliente solicitasse.

Na prática, portanto, a moeda representava ouro, e tinha valor intrínseco – exatamente o contrário da moeda fiduciária. 

No padrão-ouro, os governos possuíam enormes reservas financeiras de ouro, e o valor das moedas estava relacionado a essas reservas.

Portanto, se um governo emitisse moeda sem aumentar sua reserva de ouro, na prática o dinheiro iria se desvalorizar, porque cada nota iria estar relacionada a uma quantia menor de ouro.

Da mesma forma, se o governo aumentasse a reserva de ouro e não ampliasse a circulação da moeda, as notas iriam se valorizar. 

O padrão-ouro perdurou até a primeira guerra mundial. Depois disso, as instituições ganharam força e as moedas fiduciárias tomaram conta. Até hoje, as três principais moedas fiduciárias que guiam a economia mundial são o dólar, o euro e o iene. 

E aí, gostou do texto? Continue navegando pelo blog da Capital Research para conhecer tudo sobre o mercado financeiro.

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