Tendência à reciprocidade nos investimentos: como afetam as decisões?

A tendência à reciprocidade é uma propensão que todos nós seres humanos temos na tomada de decisão, mas pode ser uma armadilha.

A tendência à reciprocidade é uma propensão que todos nós seres humanos temos na tomada de decisão. É necessário tomar muito cuidado para que nenhum viés emocional lhe faça decidir de maneira equivocada, principalmente quando falamos em investir. 

Neste artigo, entenda o que é a tendência à reciprocidade, como ela pode afetar a sua eficiência na vida profissional e nos investimentos e como ela se encaixa na teoria de economia comportamental.

Confira abaixo!

Tendência à reciprocidade: o que é e como funciona?

A tendência à reciprocidade é um viés cognitivo bastante presente na sociedade, de maneira parecida com o poder dos incentivos. Já foi ao aniversário de algum parente – mesmo sem ter vontade de ir – porque ele foi à sua comemoração?

A responsável por essa decisão, mesmo que contra sua vontade, foi a tendência à reciprocidade. Mas ela não está presente apenas nas relações familiares. É possível encontrar exemplos em todos os tipos de relação.

Isso acontece pois somos criados com o conceito de que devemos tratar os outros da maneira que desejamos ser tratados. Por isso, quando alguém faz algo bom ou ruim para você, se sente na “obrigação” de devolver essa ação.

A tendência à reciprocidade é um viés cognitivo estudado pela economia comportamental. Ela busca descobrir como tomamos nossas decisões de compras e de investimentos, como você verá no próximo trecho.

Economia comportamental – o que é?

A economia comportamental é um estudo que teve início na metade final do século passado e mudou a forma como enxergamos nossas decisões sobre dinheiro. Até então, era tido como verdadeiro que nossas decisões de compra eram feitas de maneira exclusivamente racional.

Ou seja, avaliávamos os prós e contras de comprar um produto ou investir, checávamos quantos recursos tínhamos e então decidimos ou não pela aquisição. A economia comportamental desafiou esse status quo, ao mostrar que nossas decisões econômicas eram muito mais emocionais que imaginávamos.

Isso pode ser provado por meio de vieses cognitivos como a tendência à reciprocidade. Por exemplo, quando você ganha um presente. Certamente se sentirá compelido a também comprar um presente para essa pessoa, mesmo que suas finanças não tenham espaço para comprar nada novo no momento.

Para ilustrarmos como ela pode ser uma grande aliada na sua vida profissional, mas uma poderosa antagonista nos investimentos, continue conosco pelos próximos parágrafos!

Como esse conceito pode ajudar sua vida profissional?

A tendência à reciprocidade pode ser uma grande ferramenta para estabelecer conexões no mundo corporativo. Quanto mais gerar valor aos colegas, funcionários e chefes, maior é a probabilidade de ser lembrado quando surgir uma promoção ou um novo projeto.

Assim como em um relacionamento familiar, quanto melhor é a sua conexão, maiores são as suas chances. Isso acontece pois, ao agirmos de maneira recíproca e retornando o bem que recebemos, nossos cérebros liberam uma carga de dopamina, o neurotransmissor responsável pelo humor.

Mas vale o aviso: deve gerar valor ou fazer o bem de forma natural, sem parecer que está esperando retorno. Caso faça o bem de maneira que percebam interesses ocultos, você perderá essa conexão, gerando o efeito oposto ao que queria.

Como ela pode te atrapalhar nos investimentos?

Ativos não são pessoas. Ou seja, eles não ficarão magoados caso resolva vendê-los caso não estejam rendendo tanto quanto você esperava. De maneira curiosa, também temos tendência à reciprocidade nos investimentos da Bolsa de Valores.

 

Como ela funciona?

Você passa a “ter pena” de se desfazer de um investimento que já ofereceu bons rendimentos no passado, mas que já não faz tanto sentido atualmente. 

É como se você estivesse “devendo” para aquele ativo. Não é porque ele já te ofereceu bons rendimentos que você está devendo um favor a ele. A empresa irá sobreviver mesmo que não seja mais o seu investidor.

Seja você um investidor iniciante ou avançado, deve estar sempre a buscar por melhores alternativas e maneiras de rentabilizar a sua carteira.

Se você quer viver da Bolsa de Valores, saber quando comprar e quando se desfazer de uma ação se torna ainda mais importante. Não há espaço para a tendência à reciprocidade nos investimentos.

Aprenda mais sobre investimentos na Capital Research!

Os vieses cognitivos vêm de aprendizados e experiências que adquirimos ao longo da vida. A tendência à reciprocidade é um deles. Vale considerar aqui que eles são inerentes à vida em sociedade, então dificilmente não o sinta em sua tomada de decisões.

É importante considerar também que ela não é algum tipo de super-vilã. Muito pelo contrário, ela pode ser uma grande aliada em diversos aspectos da sua vida.

Porém, ela não tem utilidade no mercado financeiro. Por isso, é importante acompanhar os dados e novidades sempre que for decidir. Usar a intuição raramente é boa ideia na vida de investidor.

Quer aprender mais sobre investimentos? Então continue lendo os artigos da Capital Research e entre em contato conosco agora mesmo!

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